Mal Vicioso: filosofando e discutindo a hipocrisia da sociedade

Cada vez mais a sociedade se acomoda com a exploração do homem pelo homem, mal que se torna um vício. Ainda que a angústia de não saber o que fazer nos persiga, podemos, juntos, descobrir a saída.

Arquivo do mês: May, 2007

29/05/2007

Operação Mindfuck

Pregando o discordianismo no centro de Itajaí

No dia 23 de maio, às 5:00 pm, no calçadão da Hercílio Luz (que é o local mais movimentado de Itajaí - o que não significa muita coisa), organizamos uma Operação Mindfuck: lemos vários trechos do Principia Discordia afim de zoar o cara que prega as palavras da Bíblia da mesma maneira.

Elenco (por ordem de aparecimento no vídeo)

  • Carol Peters
  • Tiago Madeira
  • Felipe Schneider

Figurantes (que ficaram com vergonha de andar perto de nós)

  • Amanda
  • John Artmann

Agradecimento especial à…

  • Caroline Cubas, que nos acompanhou e filmou a maior parte da operação.

O vídeo foi editado pela Carol.

E a experiência foi muito interessante! Pretendemos realizá-la novamente num feriado discordiano qualquer ou no próximo 23 de maio, com mais gente, durante mais tempo e falando mais alto.

A Deusa ainda não parou de nos mandar sinais de Seu Caos: O vídeo original foi editado para ter 5:23 min, no You Tube aparece com 5:22 min, e aqui, com 5:21 min!

Compare Preços de: Principia Discordia, auto-falante, máquinas digitais

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Escrito por Carol e Tiago | Mindfuck, Religião | 14 comentários. Participe!

28/05/2007

Fazer teatro de obras de ficção é errado?

Religion is the root cause of all terrorism

Os manifestantes acreditam que o museu trata a religião de uma forma extremista. Eles reclamam ainda que o local nega a ciência, pois classifica as histórias da Bíblia como uma verdade absoluta.

O Museu da Criação foi desenvolvido por um diretor de um estúdio de cinema americano e traz cenários realistas, bonecos animados de pessoas e dinossauros em tamanho real e muitos efeitos especiais. Os visitantes podem ver uma réplica do que seria a Arca de Noé e até animais que habitariam o mundo quando Adão e Eva foram expulsos do Jardim do Éden, histórias clássicas da Bíblia.

De acordo com a direção, o Museu da Criação é um programa para toda a família e foi planejado com o objetivo de fazer mais pessoas acreditarem que Jesus Cristo existiu e deve ser considerado o criador da vida.

Notícia completa no Terra.

Eu gostaria de saber se por acaso eu sou o único anti-religioso que acho os manifestantes idiotas ou se vocês concordam comigo. Afinal, há algum problema de criar representações de um livro? Isso me lembra aqueles indivíduos que criticam O Código da Vinci por ser uma história inventada. Em algum ponto na história do mundo foi errado criar obras de ficção? Adorarei ler o seu comentário.

Compare Preços de: Bíblia Sagrada, O Código da Vinci, Anjos e Demônios, Arca de Noé

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Escrito por Tiago Madeira | Religião | 2 comentários. Participe!

28/05/2007

Não são só palavras

Depois da Fabiana, o pai da Carol, que está morando em São Paulo e trabalhando na USP, também nos presenteou com um texto muito bem escrito sobre o poder da palavra.

Na reta final da última campanha eleitoral estourou o “escândalo do dossiê”, que, supostamente, fazia ligações entre o então candidato do PSDB ao governo paulista, José Serra, e a máfia das ambulâncias. Na ocasião, a mídia deu muitas manchetes e notícias adjetivando o documento como “falso” ou “suposto”. Antecipar o dossiê com um destes adjetivos tirava-lhe a força e colocava todo o ônus em cima dos compradores do documento, que, juridicamente, não cometeram nenhum crime, pois comprar informações é lícito.

Neste ano a justiça inocentou do episódio o presidente Lula e o senador Aloísio Mercadante. A mídia deu a notícia de que ambos estavam inocentados do escândalo do dossiê, que agora não era mais falso e nem suposto, não precisava.

Nos últimos dias a mídia têm vindo à TV dizendo que os alunos da USP “invadiram” o reitoria para protestar contra os decretos do governador que impediriam que a universidade prestasse contas à sociedade das verbas que recebe. Ouvido assim, fica parecendo que a instituição tem algo a esconder.

Ora, um dos panfletos distribuídos pelos alunos — que estão à disposição para consultas dos jornalistas de plantão — diz o seguinte: “Na quinta-feira, 3 de maio, cerca de 400 estudantes ocuparam (grifo meu) a reitoria da USP contra os decretos do governador de São Paulo, José Serra, que corta R$ 1 bilhão de verbas das universidades estaduais (USP, Unicamp, Unesp e Fatec´s) e ataca a autonomia administrativa submetendo-as a uma secretaria do governo.”

De começo, já há uma diferenciação entre a invasão da mídia e a ocupação dos alunos. Mas isso não é o pior. Tentar dizer que os alunos não querem que a universidade preste contas de suas verbas à sociedade é, pelo menos a mim, o ponto mais importante desta questão. Na realidade, os alunos, ainda segundo o panfleto, querem “… a revogação do decreto de José Serra, que impõe o fim da relativa autonomia universitária, proibindo a livre administração dos recursos da universidade” e continua “… que significa que qualquer tipo de gasto … ficaria subordinado à aprovação da secretaria que teria poder de vetar.” Este é o perigo à autonomia da universidade. Se a secretaria não gostar, não compra. Se uma pesquisa não interessar, não se pesquisa.

As palavras carregam em si uma força muitas vezes subestimada por falantes e ouvintes. E isso não se dá apenas nas relações com a mídia. Em todos os campos em que está presente a palavra — escrita ou falada — desempenha um papel fundamental. Por exemplo, um aluno de matemática que deve fatorar um número poderia realizar a seguinte análise: fatorar é um verbo e, portanto, designa uma ação. Esta ação é a de transformar em fatores. Fatores são as partes constituintes de uma operação de multiplicação — a ordem dos fatores não altera o produto, lembam-se?

Desta forma, para este aluno, fatorar um número é a operação transformá-lo em fatores, como em seis (o número) que é igual a dois vezes três (os fatores), escrito matematicamente como 6 = 2 x 3.

Entender e utilizar bem as palavras é importante para entender o mundo e ler as informações que ele nos dá e, ainda, tomar uma posição em relação a tudo isso. Em matemática, por exemplo, há uma diferença muito grande entre descobrir e inventar. Se você pensa que as entidades matemáticas são descobertas, está mais para o lado idealista de Platão. Se, ao contrário, pensa que elas são inventadas, encontra-se mais próximo ao realismo de Aristóteles.

Decisões que, muitas vezes, são difíceis de tomar, mas que podem fazer diferença, como no “penso, logo existo” — cogito, ergo sum — de Descartes. Se você aposta nesta fórmula, coloca a essência antes do ser, está mais para Platão. Se, ao contrário, joga suas fichas em “existo, logo penso”, manda um recado de que o ser vem antes da essência e Aristóteles agradece a sua adesão.

Portanto, cuidado com o que você ouve ou fala. Não são só palavras, são idéias.

José Roberto Peters, matemático, publicitário e mestre Educação Científica e Tecnológica. Atualmente trabalhando na USP como pesquisador do CNPQ.

Compare Preços de: ambulâncias, panfletos, ábacos, calculadoras

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Escrito por Carol e Tiago | Política | 6 comentários. Participe!

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