Mal Vicioso: filosofando e discutindo a hipocrisia da sociedade

Cada vez mais a sociedade se acomoda com a exploração do homem pelo homem, mal que se torna um vício. Ainda que a angústia de não saber o que fazer nos persiga, podemos, juntos, descobrir a saída.

Aprendizagem - Parte 1 - Schopenhauer

Quando observamos a quantidade e a variedade dos estabelecimentos de ensino e de aprendizado, assim como o grande número de alunos e professores, é possível acreditar que a espécie humana dá muita importância à instrução e à verdade.

Em geral, estudantes e estudiosos de todos os tipos e de qualquer idade têm em mira apenas a “informação”, não a “instrução”. Sua honra é baseada no fato de terem informações sobre tudo, sobre todas as pedras, ou plantas, ou batalhas, ou experiências, sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. Não ocorre a eles que a informação é um mero “meio” para instrução, tendo pouco ou nenhum valor por si mesma, no entanto é uma maneira de pensar que caracteriza uma cabeça filosófica.

Os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la. E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e ganhar ares de importante.

Para irmos pensando ficam, além das citações de Schopenhauer, algumas perguntas:

  • Pra que serve decorar livros sem entendê-los?
  • Na nossa escola, além de decorar, interpretamos e aprendemos tudo o que é “ensinado”?
  • Qual o valor de algo decorado sem nenhuma reflexão?
  • O professor ensina ou enfia conteúdo goela a baixo?
  • O aluno aprende? O aluno precisa aprender? O aluno quer aprender? Sozinho ele não aprenderia?

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Escrito por Carol e Tiago e postado em Sociedade no dia 07/12/2006 às 13h 02min. Acompanhe os comentários via RSS 2.0. Você pode deixar um comentário ou fazer um trackback do seu site.

3 comentários para “Aprendizagem - Parte 1 - Schopenhauer”

  1. #1 | Carol Peters

    “o aluno quer aprender” é realmente a pergunta q todos os professores deviam se fazer..
    de q adianta forçar alguem a estudar algo q não gosta e nunca vai usar na vida??
    é por isso q sou a favor d um ensido direcionado já a carreira q o estudante pretende seguir ;]

  2. #2 | Tiago Madeira

    Ensinar o que não foi perguntado, além de inútil, é uma espécie de estupro cultural.

    Somos todos diferentes uns dos outros, inclusive pelo interesse em conhecer.

    A necessidade de conhecimento é compulsiva, como a de liberdade e a de oxigênio.

    (Roberto Freire em Somaterapia - Pedagogia Libertária)

    A escola deveria ser um ambiente em que cada um aprende o que quer, porque aí sim as pessoas iriam ir à escola para aprender. Ela não deveria ter horários fixos e nem mesmo notas. Na minha opinião, esse nosso sistema tradicional só dificulta a aprendizagem e acaba com o gosto de aprender, que é algo belo que todos nascemos tendo. A escola tradicional ainda faz com que nos tornemos dependentes de alguém para aprender… E não nos ensina quase nada, porque não aprendemos o que não queremos.

    A criança aprende tudo sozinha. Basta não impedi-la. Só precisamos ensinar-lhe detalhes tecnológicos.

    Precisamos aprender com os outros apenas o que não nos foi possível aprender sozinho.

    A necessidade de aprender é biológica, ela se faz sempre de dentro para fora.

    O impulso pela busca do conhecimento é mais importante que a coisa conhecida.

    O professor deveria servir apenas pra ensinar o que o aluno quer aprender e não consegue entender sozinho. :-)

  3. #3 | Pedro Vasconcelos

    O mesmo país de Schopenhauer, a Alemanha, tem hoje um nível de educação excelente e invejável se comparado com o brasileiro. Acho que não podemos simplesmente abrir mão de um padrão de ensino minimamente rígido nas escolas, embora ache que a metodologia deve mudar.

    Enfim, acho também que Schopenhauer queria enfatizar a deturpação dos valores.

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