Mal Vicioso: filosofando e discutindo a hipocrisia da sociedade

Cada vez mais a sociedade se acomoda com a exploração do homem pelo homem, mal que se torna um vício. Ainda que a angústia de não saber o que fazer nos persiga, podemos, juntos, descobrir a saída.

Categoria: Dinheiro

17/02/2007

Deus verdadeiro

Deus Dinheiro

E os padrões são tristes: limitam-se à posse de coisas, objetos, aparências. Tudo que o dinheiro consegue comprar. A maioria vive para o dinheiro, exclusivamente.

As respostas são sempre as mesmas. Preciso trabalhar para ganhar dinheiro, senão eu não vivo. Preciso de dinheiro para sair de férias, para comprar um novo carro, para um novo tênis, e mais dinheiro, mais dinheiro, mais dinheiro.

O dinheiro é o deus do universo dos incluídos. Sem dinheiro não conseguem saúde, moradia, alimentação, transporte, e tudo o que se possa imaginar.

Limitam os filhos pela possibilidade de dinheiro. Se meu dinheiro é suficiente para um filho, vou ter um filho apenas. Quem manda é o dinheiro e ninguém mais.

Sob o império do deus dinheiro, os humanos vivem em eterno e permanente processo de competição. Olham para aqueles de seu círculo de referência e comparam. Comparam tudo. Até o novo acessório de roupa, o novo batom, o novo sapato.

Neste processo de comparação crônica trocam todos os valores. Não conseguem enxergar a verdade da vida que existe por trás de cada um. Fica tudo maquiado nos big brothers da vida. Quanto mais ligado no processo de comparação, melhor.

Meu filho já está na universidade, e o seu? Meu filho passou no concurso federal, e o seu? Minha filha está na Europa, e a sua? Ah, ela foi para o Jalapão? É Jalapão mesmo, no Brasil, na Bahia.

Até a lápide do túmulo é comparada com a do morto vizinho. Você viu? O nosso túmulo é muito mais bonito que o da dona Rosinha. Coitada. Ela mereceu.

E nesse fantástico jogo de alienação colocaram um deus santo, uma religião, uma reza. É para as pessoas acreditarem que depois da morte vão ser recompensadas pelos gestos de bondade, arrependimento, humildade.

Sem o deus dinheiro ninguém faz nada. Fica sem luz, sem água, sem comida, sem carro, sem gasolina, sem telefone, sem Internet, sem personalidade.

Sete Brasil de pessoas, ou 850 milhões vivem deste jeito. Sem comida, sem teto, sem transporte, sem nada.

Na tevê passa a propaganda do novo desodorante. Indispensável. Depois passa a mulher de corpo bonito batendo na tecla dos que precisam emagrecer para entrar no padrão de aceitabilidade. E o pior de tudo é que a própria pessoa deixa se levar por esta paranóia. Aliás, normal. Paranóico sou eu escrevendo estas baboseiras.

Quando vamos conseguir enxergar a vida que pulsa atrás das aparências, escondidas pelo deus dinheiro? Quando vamos poder sentar no chão, encostando-se à crosta do planeta terra, de 40 mil quilômetros de circunferência, 13 mil quilômetros de diâmetro, 6 quilômetros e meio de raio e perceber sua vibração?

Eu sei quando. Quando a luz da vida começa a tremular. Quando percebemos que trocamos a vida inteira pelo deus dinheiro. Resta pouco tempo de vida verdadeira. Quero acordar. Quero me tornar independente e livre do deus dinheiro. Quero ver a vida que existe por trás de todo jogo de encenação.

Por pensar assim, sou louco. Existe limite para pensar?

Em nome do deus dinheiro, deus petróleo, deus poder, os senhores Bush, Blair e Aznar invadem qualquer lugar do planeta acusando as pessoas de pertencerem ao deus do mal. Matam milhões e milhões. Despejam suas bombas inteligentes, modernas e tecnologicamente fantásticas. Caçam ratos humanos que se escondem em buracos. Estão certos. O povo do Iraque não vale nada. O resto do mundo fica calado. Estes senhores podem assassinar a vontade. Possuem o passaporte da impunidade.

Os humanos precisam se repensar. Estamos todos feitos escravos virtuais. Sem dinheiro, meu amigo, você é ninguém. Ou será o contrário?

Quem são os humanos? Uma praga? Um terrível vírus? Preciso aceitar a sina da humanidade. Ó deus dinheiro, protegei o mundo inteiro de tanta desgraça. Olhai por nós. Amém.

Texto de José Roberto Orquiza encontrado aqui.

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Escrito por Carol e Tiago | Dinheiro | O que você acha?

08/02/2007

70% off

Mais um dia de voltinhas por Balneário (aliás, por que tudo acontece em Balneário??), quando subitamente, uma loja escondida em um canto do shopping me atrai por seus enormes cartazes de liquidação.

É incrível o enorme fascínio que essa palavra exerce até sobre as mentes femininas mais esclarecidas, mas sobre isso falarei mais tarde. ;)

Arrastei o pobre do Tiago pra dentro da loja comigo. A vendedora prontamente me mostrou diversos modelos de blusinhas enquanto eu olhava as que estavam nos cabides. Achei uma de vinte pila pendurada. Levei-a, claaaroo! Alguns podem até não achar, mas ela estava extremamente barata.

Em geral, os 70% de desconto (custava uns R$60 e tava por R$18!) serviriam pra aliviar o peso na consciência por ser tão consumista, mas há dias em que a gente pensa mais que o normal em como os asiáticos pobres são explorados e tal e se revolta; não por ter pagado caro, mas por saber que quem realmente trabalhou não vai receber mais do que alguns centavos, enquanto o lucro vai todo pro dono da loja.

E se foi possível um desconto tão grande, é porque o preço de custo dessa peça é tão insignificante que eu me pergunto como alguém poderia pagar tudo isso por algo que contém suor de trabalho semi-escravo. E, mesmo que não tenha vindo da China ou sei lá, sei que aqui mesmo no Brasil existem fábricas ilegais que fazem produtos a custos baixissimos usando nordestinos pobres que vieram tentar a vida na capital e até mesmo imigrantes asiáticos ilegais.

Não me importaria tanto com o preço se soubesse que isso iria pra que o faz, pra quem trabalha de verdade e que tem uma família - geralmente enorme - pra alimentar com menos de US$1 por dia de trabalho, sem carteira assinada, direito a plano de saúde, férias, seguro maternidade ou seja-lá-o-que-for. Mas é revoltante ver que tudo isso vai pra alguém que não tá nem aí e só quer ganhar cada vez mais.

Mas pensando bem… a gente patrocina tudo isso. Não temos do que reclamar: sabemos que o mundo é assim… E aí, vamos fazer alguma coisa pra mudar?

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Escrito por Carol Peters | Dinheiro, Sociedade | O que você acha?

27/01/2007

Bram Mooleenar vs. Bill Gates

A maioria das pessoas que ouvem “software livre” ou “free software”, se é que já viram esse termo antes, imaginam um programa de computador gratuito. A filosofia por trás do software livre vai muito além disso, mas não é meu objetivo nesse post falar dela. Meu objetivo é falar sobre o projeto de Bram Mooleenar, criador e mantenedor de um dos editores de texto para programadores mais populares do mundo, o Vim.

Bram criou uma organização não-governamental para ajudar as crianças que sofrem com o alto índice de HIV no sul da Uganda, na África. Ele desenvolve o Vim a troco de doações para esta fundação, a ICCF.

The south of Uganda has been suffering from the highest HIV infection rate in the world. Parents die of AIDS, just when their children need them most. An extended family can be their new home. Fortunately there is enough food in this farming district. But who will pay their school fees, provide medical aid and help them grow up? That is where ICCF Holland helps in the hope that they will be able to take care of themselves, and their children, in the long run.

98% do dinheiro doado para o desenvolvimento do Vim vai para a ICCF ajudar crianças pobres da Uganda. Bram Mooleenar não é nem milionário, ele desenvolve um excelente editor livre para todo mundo, de graça e nem as doações dos usuários satisfeitos com o Vim vão pra ele!

Enquanto isso, o bilionário Bill Gates é premiado e agraciado por ser o “cidadão solidário”: cobra um absurdo em seus programas falhos que não podem ser adaptados para uso especial e doa menos de 5% de sua fortuna para a sua fundação depois de anos de ganância e com uma grana que ele nunca conseguiria usar de qualquer maneira.

Bill Gates

Ótimo… Eu não entendo mais nada.

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Escrito por Tiago Madeira | Dinheiro | 4 comentários. Participe!

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