Mal Vicioso: filosofando e discutindo a hipocrisia da sociedade

Cada vez mais a sociedade se acomoda com a exploração do homem pelo homem, mal que se torna um vício. Ainda que a angústia de não saber o que fazer nos persiga, podemos, juntos, descobrir a saída.

Categoria: Filosofia

05/06/2007

A sala de aula ideal

Sala de aula

“Educai as crianças e não será necessário punir os homens.” (Pitágoras)

Peraí… Como assim educar as crianças?

Minha professora de história, nos últimos cinco minutos de sua aula, jogou uma pergunta à classe: Como deveriam ser as aulas de história? Enquanto uma grande parte dos alunos conversava, várias pessoas se manifestaram e sugeriram idéias diferentes. Fiquei a pensar: como contentar a todos? Como, afinal, seria uma sala de aula ideal?

Após a primeira reflexão, discuti com a professora como é complicado dar aula para uma sala. Existem vários tipos de aluno e cada um está na escola por um motivo e objetivo diferente (entre aqueles sem objetivo). Como juntar todos os alunos, ensiná-los do mesmo modo e avaliá-los da mesma forma? Como é possível dar aula para 40 pessoas tão diferentes uma da outra?

Na verdade o sistema da escola, a maneira como ela é uma obrigação (e as pessoas são empuradas para ela), a avaliação, a nota, o ensino, a juventude e suas metas (ou falta de metas)… tudo torna o processo educativo muito complicado. E ainda há duas questões de extrema importância: o porquê de educar e se realmente todos precisam saber do conteúdo.

Concluí que ninguém deveria estar numa instituição que prega que todos que têm a mesma idade são obrigados a aprender o mesmo conteúdo, no mesmo período, da mesma maneira e serem avaliados igualmente. E sim, eu sei que isso é uma máxima “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Mas mais do que isso, algumas pessoas em especial eu acho que não deveriam estar na escola. Há muita gente com dificuldade de concentração e de aprendizagem do conteúdo escolar…

Seriam eles inferiores? Creio que essa mentalidade está presente na construção da nossa sociedade. Porém, na minha opinião, nem todos nascem para o meio acadêmico e é para ele que a escola forma. Algumas pessoas (e não são nem um pouco inferiores por isso) têm outro jeito e deveriam ser tratadas de outra maneira. É uma pena que todos sejam mandados pro mesmo lugar e tratados como iguais. A igualdade nem sempre é boa, aliás, quase nunca.

Mas refletindo somente sobre a pergunta da Caroline individualmente e de maneira muito egoísta, resolvi que a melhor maneira de eu aproveitar as duas horas e meia semanais de história que temos (três aulas de cinqüenta minutos) é:

  1. Segunda-feira: discussão cultural-filosófica do conteúdo que todos pesquisaram e estudaram final de semana.
  2. Terça-feira: prova sobre o conteúdo que todos estudaram no final de semana e discutiram segunda-feira.
  3. Quarta-feira, quinta-feira: não tem aula de história. A professora corrige a prova.
  4. Sexta-feira: a professora entrega da prova, há uma socialização dos resultados e uma discussão para fechar o conteúdo. Tarefa para segunda-feira: pesquisar sobre um novo conteúdo (professora sugere um tema).
  5. Sábado, domingo: Alunos pesquisam e aprendem sobre o tema que a professora passou.

Já sobre a escola como um todo, sua obrigatoriedade, sua divisão por matérias e por idade, etc. é preciso um outro post, muito maior. Assim que Éris me inspirar escreverei sobre isto.

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Escrito por Tiago Madeira | Filosofia, Sociedade | 6 comentários. Participe!

21/05/2007

Papo de cozinha

Fotossíntese de Godot
Javé falando com Moisés enquanto faz sua fotossíntese

- Tó filho, sua comida
- Não quero pão, mãe. Já disse!
- Ah, mas esse pãozinho está divino!
- O que é divino?
- É algo que é muito bom. Que vem de Deus…
- Deus come pão?
- Não, querido. Deus se alimenta de luz.
- Então quando ta muito quente Deus fica gordo?..
- Não! Deus é etéreo.
- …E quando chove ele passa fome e fica magro?

História baseada em fatos reais.

Isso me lembrou o primeiro capítulo de O Mundo de Sofia.

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Escrito por Carol Peters | Filosofia, Religião | O que você acha?

01/05/2007

À procura da felicidade

À procura da felicidade

O reverendo convidou e nós, para fazê-lo feliz, resolvemos participar da brincadeira: o que é felicidade?

Há quem diga (pessimistas) que a felicidade é a ausência de tristeza. Uma definição trivial, não? O fato é que nós, grande parte da população terrestre, somos por padrão tristes, salvo acontecimentos que propiciem momentos felizes. Schopenhauer afirmou que “a felicidade não passa de um sonho e a dor é real”. Nessa linha pessimista, Vinicius de Moraes e Tom Jobim cantaram que “tristeza não tem fim, felicidade sim”.

Eu, Carol, tenho uma palavra pra essa melancolia: EMO. Quando se está deprimido não há nada pior do que ouvir ‘cornomusic’. Felicidade nada tem a ver com o que você tem ou deixa de ter, mesmo que a mente humana clame por construir sua alegria em cima da desilusão alheia (nesses momentos de egocentrismo deprimente ouça blues para lembrar que tem gente em situação pior que a sua e mesmo assim consegue cantar). Na realidade, o seu nível de felicidade é diretamente proporcional à quantidade de endorfina que você ingere. ;)

Uma citação do mesmo Schopenhauer que disse que a felicidade não passa de um sonho diz que 90% da nossa felicidade baseia-se exclusivamente na nossa saúde e que com base nela tudo se transforma em fonte de prazer. A fórmula que o reverendo apresenta (de Scott Adams) também conta com a saúde, mas ela tem o mesmo peso de outros três itens: dinheiro, vida social e significado (?).

Seria hipocrisia afirmar que a felicidade não depende do dinheiro… Mas o dinheiro tem o mesmo peso do resto? Não acreditamos nisso. Além disso, Scott Adams não lembra (e o reverendo também não mencionou) o amor. Na nossa visão, ele teria um peso maior que a saúde. Muitos doentes morrem felizes por causa do sentimento de afeto e carinho de outras pessoas.

A felicidade também depende do humor (que talvez, gerando uma recursão infinita, dependa da felicidade), do desejo e do momento. Muitas vezes um sorvete de morango já é capaz de fazer a Carol feliz. :) O que queremos dizer com isso é que, se felicidade fosse limitada a uma fórmula, deveriam haver muitas outras variáveis no meio.

Enfim, concluímos que definir felicidade é muito parecido com definir verdade. Não existe uma felicidade única, cada um é feliz a seu modo. A mesma pessoa pode num mesmo dia se sentir a pessoa mais feliz do mundo e depois a pessoa mais triste do mundo. A felicidade é um sentimento inexato, relativo e que depende de muito mais do que uma fórmula.

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Escrito por Carol e Tiago | Filosofia | Um comentário... Inicie uma discussão!

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