24/07/2007
Chega de enrolação. Criei coragem para falar e começarei pelo começo, continuarei depois até chegar ao fim e então pararei.

O Mal Vicioso vem lhes informar por meio deste post que “Alice no país das maravilhas” não é um livro para crianças por ser simples e não fazer sentido algum. Ele é simplesmente brilhante e talvez as crianças sejam as poucas que conseguem compreendê-lo por ainda estarem na ponta dos pêlos do coelho branco.
Qual a relação entre um corvo e uma escrivaninha? Não precisa responder, apenas pense.
O objetivo de Alice não é informar, mas confundir um pouco afim de fazer pensar. A história é uma grande operação mindfuck confabulada em 1894 e provavelmente inspirada pelo posterior Principia Discordia que foi escrito por Mal-2 nos anos 60.
A lógica do autor é absolutamente absurda e os diálogos e poemas nos levam a pensar: afinal, o que é o louco e o que é o padrão?
Nietzsche escreveu em “Além do bem e do mal” que a loucura é algo raro em indivíduos mas que em certas épocas e sociedades é a norma. Talvez nós é que sejamos loucos e os personagens maravilhosos sejam a realidade. Ou talvez sejamos nós os personagens maravilhosos. Quem sabe?
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16/06/2007
Mais uma sugestão de leitura do Mal Vicioso! O livro da vez é: Além do bem e do mal
Escrito por Nietzsche e publicado por várias editoras aqui no Brasil, “Além do bem e do mal” é um livro que não pode faltar na cabeceira de um filósofo. A obra desde seu primeiro capítulo critica filosofias metafísicas, religiões, moralismos e verdades. Faz-nos refletir sobre os nossos valores, ética e sobre a natureza do homem.
Nota: O estilo aforismático de autor traz tantas frases de tamanho efeito que resolvi me privar de colocar alguma aqui para não desprezar as outras.
O prelúdio a uma filosofia do futuro é um livro pesado, que deve ser digerido com muita atenção. Ainda estou no terceiro capítulo (A natureza religiosa), mas não posso deixar de recomendar esta obra excepcional de Nietzsche, que talvez hoje não fosse tão incompreendido (ou talvez o mundo não tenha mudado tanto assim nos últimos cem anos…).
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Escrito por Tiago Madeira | Filosofia, Livros | 6 comentários. Participe!
01/02/2007
- Autor: Arthur Schopenhauer, com organização e ensaio de Franco Volpi
- Editora (no Brasil): Martins Fontes
- Páginas: 116
- Sinopse: Este pequeno tratado, verdadeira pérola oculta nos escritos póstumos de Schopenhauer, foi elaborado “como uma dissecação limpa” para conferir uma sistematização formal aos “artifícios desonestos recorrentes nas disputas”. Schopenhauer apresenta 38 estratagemas, lícitos e ilícitos, aos quais é possível recorrer para “obter” razão: para defendê-la quando ela estiver do nosso lado, e para conquistá-la quanto estiver do lado do adversário. Leitura atraente e muito útil: com frieza classificatória, Schopenhauer nos indica “os caminhos oblíquos e os truques de que se serve a natureza humana em geral para ocultar seus defeitos”.

Estou na página 23 desse livro fascinante. Schopenhauer sistematiza os relacionamentos humanos de maneira incrível. É uma leitura um pouco difícil, na qual são apresentados conceitos para o que nós fazemos em nossas disputas, mas tudo é bem explicado e exemplificado e entendemos algumas coisas que nós inconscientemente fazemos e falamos. Como diz Schopenhauer: na discussão não visamos a verdade, mas apenas defender a nossa opinião para satisfazer a nossa vaidade.
A dialética erística é a arte de disputar, mais precisamente a arte de disputar de tal maneira que se fique com a razão, portanto, per fas et nefas [com meios lícitos e ilícitos].
[…]
Se [a maldade natural do gênero humano] não existisse, se fôssemos inteiramente honestos, em todo debate visaríamos trazer a verdade à luz, sem sequer nos preocuparmos se ela corresponde à opinião apresentada de início por nós ou à alheia: seria indiferente ou, pelo menos, totalmente secundário.
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