Mal Vicioso: filosofando e discutindo a hipocrisia da sociedade

Cada vez mais a sociedade se acomoda com a exploração do homem pelo homem, mal que se torna um vício. Ainda que a angústia de não saber o que fazer nos persiga, podemos, juntos, descobrir a saída.

Categoria: Política

28/05/2007

Não são só palavras

Depois da Fabiana, o pai da Carol, que está morando em São Paulo e trabalhando na USP, também nos presenteou com um texto muito bem escrito sobre o poder da palavra.

Na reta final da última campanha eleitoral estourou o “escândalo do dossiê”, que, supostamente, fazia ligações entre o então candidato do PSDB ao governo paulista, José Serra, e a máfia das ambulâncias. Na ocasião, a mídia deu muitas manchetes e notícias adjetivando o documento como “falso” ou “suposto”. Antecipar o dossiê com um destes adjetivos tirava-lhe a força e colocava todo o ônus em cima dos compradores do documento, que, juridicamente, não cometeram nenhum crime, pois comprar informações é lícito.

Neste ano a justiça inocentou do episódio o presidente Lula e o senador Aloísio Mercadante. A mídia deu a notícia de que ambos estavam inocentados do escândalo do dossiê, que agora não era mais falso e nem suposto, não precisava.

Nos últimos dias a mídia têm vindo à TV dizendo que os alunos da USP “invadiram” o reitoria para protestar contra os decretos do governador que impediriam que a universidade prestasse contas à sociedade das verbas que recebe. Ouvido assim, fica parecendo que a instituição tem algo a esconder.

Ora, um dos panfletos distribuídos pelos alunos — que estão à disposição para consultas dos jornalistas de plantão — diz o seguinte: “Na quinta-feira, 3 de maio, cerca de 400 estudantes ocuparam (grifo meu) a reitoria da USP contra os decretos do governador de São Paulo, José Serra, que corta R$ 1 bilhão de verbas das universidades estaduais (USP, Unicamp, Unesp e Fatec´s) e ataca a autonomia administrativa submetendo-as a uma secretaria do governo.”

De começo, já há uma diferenciação entre a invasão da mídia e a ocupação dos alunos. Mas isso não é o pior. Tentar dizer que os alunos não querem que a universidade preste contas de suas verbas à sociedade é, pelo menos a mim, o ponto mais importante desta questão. Na realidade, os alunos, ainda segundo o panfleto, querem “… a revogação do decreto de José Serra, que impõe o fim da relativa autonomia universitária, proibindo a livre administração dos recursos da universidade” e continua “… que significa que qualquer tipo de gasto … ficaria subordinado à aprovação da secretaria que teria poder de vetar.” Este é o perigo à autonomia da universidade. Se a secretaria não gostar, não compra. Se uma pesquisa não interessar, não se pesquisa.

As palavras carregam em si uma força muitas vezes subestimada por falantes e ouvintes. E isso não se dá apenas nas relações com a mídia. Em todos os campos em que está presente a palavra — escrita ou falada — desempenha um papel fundamental. Por exemplo, um aluno de matemática que deve fatorar um número poderia realizar a seguinte análise: fatorar é um verbo e, portanto, designa uma ação. Esta ação é a de transformar em fatores. Fatores são as partes constituintes de uma operação de multiplicação — a ordem dos fatores não altera o produto, lembam-se?

Desta forma, para este aluno, fatorar um número é a operação transformá-lo em fatores, como em seis (o número) que é igual a dois vezes três (os fatores), escrito matematicamente como 6 = 2 x 3.

Entender e utilizar bem as palavras é importante para entender o mundo e ler as informações que ele nos dá e, ainda, tomar uma posição em relação a tudo isso. Em matemática, por exemplo, há uma diferença muito grande entre descobrir e inventar. Se você pensa que as entidades matemáticas são descobertas, está mais para o lado idealista de Platão. Se, ao contrário, pensa que elas são inventadas, encontra-se mais próximo ao realismo de Aristóteles.

Decisões que, muitas vezes, são difíceis de tomar, mas que podem fazer diferença, como no “penso, logo existo” — cogito, ergo sum — de Descartes. Se você aposta nesta fórmula, coloca a essência antes do ser, está mais para Platão. Se, ao contrário, joga suas fichas em “existo, logo penso”, manda um recado de que o ser vem antes da essência e Aristóteles agradece a sua adesão.

Portanto, cuidado com o que você ouve ou fala. Não são só palavras, são idéias.

José Roberto Peters, matemático, publicitário e mestre Educação Científica e Tecnológica. Atualmente trabalhando na USP como pesquisador do CNPQ.

Compare Preços de: ambulâncias, panfletos, ábacos, calculadoras

Technorati Tags: , , , , , , , , ,

Escrito por Carol e Tiago | Política | 6 comentários. Participe!

25/05/2007

O que a imprensa não fala sobre a greve na USP

Quando eu ainda era aluna do Colégio Salesiano Itajaí já era de praxe discussões acerca do papel da mídia em nossa sociedade, principalmente durante as aulas de História, claro!

Na faculdade não foi diferente e os debates ganhavam tom acadêmico, o que me fez assinar revistas e jornais que me possibilitassem contato com notícias que permitissem, ao menos, pensar sobre o que acontecia no mundo… Queria algo além das ‘manchetes’, assim, me aventurei pela “Caros Amigos”, “Carta Capital”, “Le Monde”. Eu acreditava que os textos jornalísticos das mesmas propunham debates e análises, não apenas verdades encerradas.

Em minhas aulas as fontes de jornais e revistas se faziam presente, justamente, para que pudéssemos nos dar conta de que estes são políticos, fazem parte de jogos, são constituídos por relações de poder. Cada vírgula, palavra e silêncio são construções, nada, em um texto, é reflexo da realidade, pois quem os escreve são homens e mulheres mergulhados em suas paixões, desafetos, verdades. E a realidade é (re) apresentada pelas pessoas a partir de suas experiências.

Mas, escrever em jornal, ser repórter de tv, ou qualquer coisa deste campo, é também, incorporar as regras de publicação – aquilo que deve ser escrito/falado e lido/ouvido pela população, e quem decido isso são as linhas editoriais, que por sua vez trabalham para grupos/famílias que comandam a mídia oficial. Ou seja, o jornalista publica aquilo que é conveniente/permitido por determinados setores da sociedade.

Não pensemos que este é um jogo de “lobo mau”, muitas pessoas lêem e ouvem o que está posto nos meios de comunicação oficiais e acreditam piamente no que dizem. Não somos fantoches, mas, o perigo mora ao lado…

Em nosso país – democrático – podemos ter acesso as mais diversas mídias, de direita, esquerda, centro, lado, em cima, embaixo… E o perigo é acreditar que está variedade permite ter acesso às várias versões, a várias reflexões. Exemplificando: a Veja e a Época são do mesmo grupo, assim como, O Fantástico, o Jornal Nacional.

Porém, embora isso me fosse claro, apenas vivendo de perto os acontecimentos na USP é que posso dizer com certeza: Cuidado com o que vocês lêem e ouvem! Não autorizem que o “mundo jornalístico” os faça de bobos…

Há 20 dias a reitoria da USP foi ocupada (e não invadida) por alunos. Segundo a mídia oficial (Folha, Estado de São Paulo), esta é um ato de vandalismo e violência. Bem, não vou aqui discutir se esta é ou não legítima, só peço para que se atentem às formas como este movimento está sendo representado.

Vocês devem ter ouvido falar que os alunos exigem milhões de coisas e lutam contra 1 decreto do Serra (PSDB). Falatório, mas em nenhum momento – e eu venho acompanhando as notícias televisivas e impressas – preocupou-se em apresentar que decretos são estes, que além de prejudicaram a autonomia universitária, fragmentam a Universidade Pública, inviabilizando a pesquisa, contratação de professores, etc.

(Até agora o governador do Estado de SP anunciou 5 decretos, diretamente relacionados ao ensino superior… e mais de 100 que envolvem outros campos da sociedade. Não vou dissertar sobre os mesmos, quem tiver vontade dá uma olhada no site do Centro Acadêmico de Pedagogia da USP).

Globo, Record, Bandeirantes, Folha, Estadão se referem ao movimento e a Greve como um ato sem sentido, porém, nos roubam o direito de julgar se estes são ou não equivocados, quando jogam em nossas caras verdades prontas e acabadas. Selecionam entrevistados, recortam trechos de documentos, criam verdades que dão a entender que qualquer manifestação afeta os direitos sociais e que o Governo do Estado de São Paulo está correto. (Mídia, grupos políticos, relações de poder…)

Falando em direitos: decretos são inconstitucionais!

Privar o desenvolvimento de pesquisas que não dêem lucro imediato e repassar verbas para fundos privados, não seriam também aniquilar o direito a educação pública e a produção de conhecimento?

A “ocupação” foi o estopim. Porém, embora nos apresentem diariamente que o único problema “são os alunos, vagabundos, que não querem aula”, a Greve Geral vai além. É um movimento que reúne estudantes, funcionários e desde ontem professores. Ou seja, se as coisas fossem mais simples e a autonomia estivesse garantida, como o governo afirma, todas essas pessoas – sérias – adeririam ao movimento de “alguns” alunos?

Greves ou quaisquer manifestações são legítimas – embora a “justiça” paulista tenha divulgado hoje que manifestações sociais são contra lei. Percebem o absurdo do conteúdo daquilo que chega até nós?

Estou participando de Assembléias com alunos e professores e nossa maior preocupação é com a comunicação acerca do que vem acontecendo e com a força que enunciados jornalísticos têm em produzir efeitos de manipulação – apresentar a greve como algo errado, prejudicial. Como fazem isso? Impedindo debates, não convidando os diversos envolvidos para apresentar suas propostas.

Alguém, que vem acompanhando os acontecimentos da USP, sabe o que são decretos? Por que eles prejudicariam a Universidade Pública? Alguém ouviu opiniões que apóiam a greve?

Fala-se em liberdade de imprensa e expressão, como isto será possível quando não nos é dado o direito de pensar e as notícias são fragmentadas?

Sabiam que apenas alguns professores – professores eu disse!!! – têm seus textos publicados da Folha de São Paulo, em um caderno intitulado “Tendências e debates”? Ou seja, até o que deve ser discutido perpassa por silenciamentos…

Assim, não me cabe aqui dizer se aquilo que estamos fazendo é certo e errado, mas, o que me indigna é ver esse jogo “podre” (Meninos e meninas que foram meus alunos ano passado, lembram das discussões sobre as eleições presidenciais? Perceberam alguma semelhança?), e fico pensando o que é possível fazer para construirmos mídias alternativas e independentes, com suas verdades, mas, que nos permitam pensar…

Um pouco do que é a Greve na USP…

No interior da Greve existem pessoas a favor e contra a ocupação. Esta auxiliou para que as atenções fossem focadas na USP. Hoje fui até a ocupação. Diferente que noticiam, é super organizada, os alunos se dividem em comissões de comunicação, alimentação, limpeza, debates. Professores reconhecidos internacionalmente participam dos eventos organizados pelos alunos.

Os grevistas se reúnem diariamente, cada um com sua categoria (alunos, estudantes e funcionários) para programar as atividades durante a Greve: aulas públicas, debates, manifestações, debate sobre filmes,etc. Estas são pensadas nos Comandos de Greve que se reúnem diariamente.

Outros, que discordam da mesma, dão aulas, quando as salas estão abertas, já que os funcionários estão em greve também. Institutos continuam funcionando, normalmente. Outros ainda, ficam em casa e fazem a greve de pijama.

Seria muita inocência desejarmos apoio total.

Fabiana Nicolau, mestranda na USP

Compare Preços de: jornais nacionais, revistas nacionais, faixas e cartazes, sprays

Technorati Tags: , , , , , , , , , ,

Escrito por Carol e Tiago | Política, Sociedade | 6 comentários. Participe!

22/05/2007

Muita oração e palavras proféticas

Uma personagem imaginária acaba de receber o seguinte recado no orkut:

Querida Mariana, como você está, tudo bem? Muito obrigado por adicionar-me como seu amigo, diz as sagradas escrituras: “Em todo tempo tens o amigo, mas na angustia nasce o irmão”, este site de relacionamento, o orkut, tem revelado descoberto e aproximado muitos amigos, e tive o privilégio de encontrá-los aqui, desejo de todo o meu coração que o Senhor Jesus ouça a tua oração, atenda ao teu clamor e conceda a todos os desejos do teu coração. Continue orando por mim e minha família, estaremos orando por você e os teus, se tiveres oportunidade, sintonize a rádio 106.7 FM, é uma benção de Deus, estou ali ao vivo todos os dias das 09,30 h até as 12,30 h, com muita oração, palavras proféticas, interatividade com o ouvinte, só falta você, para sintonizar acesse o site: www.radio106fmitajai.com.br Um grande abraço do bispo Samuel Francelino.

Nós também lhe agradecemos por adicionar um amigo imaginário, bispo. Aliás, quanta organização, hein amigo?

Olá queridos amigos, que honra poder contar com a sua visita neste perfil, este é o número N.

- O primeiro, PERFIL 01 LINK encontra-se LOTADO;

- O segundo, PERFIL 02 LINK encontra-se LOTADO;

- O terceiro, PERFIL nº 03 está quase lotado, mas ainda há um lugar reservado para você, é o LINK Por isso convido-lhe a adicionar-me.

PERFIL Nº. 04:

- O quarto, PERFIL nº 04 - Há um lugar reservado para você, é o LINK Por isso será uma honra adicionar-lhe.

Agora falar de mim o que posso dizer: Sou bispo evangélico e empresário, pastoreio o Santuário da Família do Cei há 20 anos, fui chamado para o ministério e prego a Santa palavra do Senhor há 32 anos, procurando ser fiel ao Senhor Jesus Cristo, sou Presidente da Rede Brasil Esperança de Radio e Televisão, são 06 (seis) emissoras de Televisão aberta e mais algumas Tv´s em sinal fechado, mais uma rádio FM regional identificada pelo Ministério das Comunicações como CLASSE A, 106,7 FM, agora instalando 15.000 Watts de potência em sinal aberto, e na internete que pode ser acessada no site www.radio106fmitajai.com.br Administro também a BRASIL MUSIC, uma duplicadora de CD´s e DVD´s digital, silkagem Silk M4 e Gravadora no Sistema moderníssimo, padrão Sony Music, você pode saber mais, ligando (47) 3249.9112. Além de bispo que quer dizer superintendente de um pouco mais de 60 (sessenta) igrejas, pastoreio a sede na cidade de Itajaí, que é o Santuário da Família do CEI, Rua Antônio Cirilo Dutra, 62 - bairro São Vicente, em frente à Policlínica do bairro São Vicente em Itajaí, estado de Santa Catarina, se você quiser conhecer um pouco mais, tem algumas fotos aqui no orkut, você me encontra alí no Santuário Sede, sempre as quartas e domingos as 19,45 hs. O objetivo de estar aqui no orkut é fazer novas amizades, rever velhos amigos, teclar um pouco, aprender muito com aqueles que me aceitarem como seu amigo, e falar um pouco do amor de Jesus por todos nós.

Pra quem não conhece o bispo Samuel Francelino pode parecer simplesmente um evangélico fervoroso. Se este é seu caso, conheça melhor este homem de Deus procurando por compra de votos na internet.

Compare Preços de: votos, religiões

Technorati Tags: , , , , , , , , ,

Escrito por Carol e Tiago | Dinheiro, Política, Religião | 4 comentários. Participe!

Assine via e-mail

Digite seu endereço de e-mail abaixo para receber todos os novos artigos do Mal Vicioso no momento em que eles forem publicados.

Receber via e-mail

Busca no blog

Escreva palavras-chave para buscar e clique em Pesquisar.

Busca Google

Assine via RSS

Assine gratuitamente o Mal Vicioso e receba todas as atualizações na hora, em seu agregador de feeds favorito.

Seja o 171º assinante

Comentários recentes

  • lyliane: A mulher é quem é mais machista, a sociedade tem tal modelo porque...
  • Caio: Continuação da piada… - João, João… Beija minha mão. - e...
  • Caio: ^^ mt legal seu blog…post mais coisas
  • Edineuza: Liberatação de vício para um rapaz chamado Ricardo Antonio de...
  • ricardo: sou a favor até pelo menos 90 dias de gestação! não considero...
  • Rany: …. vai fundo…. pode ir….. vc vai longe…. bem...
  • tati: Que coisa ridículo , viajoo nessa! ksoaksoaksoaksa era tanto desespero...
  • simone: __já participo .. vamos nós comunicar …
  • Anandar: eu amo vcs!!! Pois vcs sao um grupo de putos…Eu adoro grupo!!
  • Lauderina: Muito legal adorei

Fale conosco

Quer fazer uma crítica ou sugerir algum tema para discussão? Envie um e-mail para admin@malvicioso.com.

Publicidade

Dreamhost

Creative Commons - Some rights reserved malvicioso.com © Todo o conteúdo deste blog, exceto quando especificado o contrário, está licenciado sob uma Licença Creative Commons. Os comentários são de responsabilidade de seus respectivos autores.