Alguns já sabem que o motivo de eu ter me ausentado no feriado foi o fato de estar na Argentina. Como não podia deixar de ser, registrei aspectos interessantes num diário (eu tenho um, por mais que não tenha o que escrever diariamente) para postar aqui. O que segue é um pequeno relato dos meus dias em Buenos Aires.
Batia um vento gélido quando aterrissamos no aeroporto internacional, à 35km da capital. Apesar do vento havia sol e não estava tão frio. Depois de passar pela imigração pegamos o tranlado para o hotel. No carro, um aviso em espanhol, inglês e português (?) que avisava que as gorjetas não estavam incluídas no preço da “viajem”. O mais interessante é que, dentro do aeroporto, os avisos vinham em espanhol, inglês, alemão e francês, apenas.

Cartaz do balcão da Gol, sugerindo que não se transportem itens potencialmente perigosos
O ar do centro da cidade, onde estava o hotel, não era nada bueno. Era um misto de diesel queimado (gasolina deve ser bem cara lá) com fumaça de cigarro. Aliás, o fumo deve ser um costume local, assim como manifestações nas ruas. Nos quatro dias em que estive lá, nos raros momentos em que estava no restaurante do hotel e a TV estava ligada no canal de notícias devo ter visto umas seis chamadas sobre isso. Protesto dos estudantes de música por dormitórios melhores, dos estudantes secundários e universitários por melhorias na educação, das enfermeiras por algo que eu esqueci e outros que eu não lembro.
No segundo dia fizemos um city tour. Quando paramos perto da Bombonera, o estádio do Boca Juniors, reparei que não haviam lixeiros. Tudo era jogado na calçada. Não sei se em todas as cidades do Brasil é assim, mas onde eu moro há vários cestos de lixo nas ruas e por mais que sempre haja quem jogue papéis pela janela do carro, as ruas costumam ser, de certa forma, limpas.
A última parada foi o Caminito, um tipo de calçadão onde sempre tem apresentações de tango, que confesso era o que eu mais queria ver na Argentina. Só que, por infortúnuo, na hora (meia-hora, pra ser exata) que estivemos lá não houve tango nenhum, só uns senhores - brasileiros! - tocando pagode andando pela rua! Me senti quase no Brasil lá. Tinha até um cara vendendo espetinho!!
Já que eu mencionei o Brasil, isso me lembrou outra coisa que eu procuro sempre que em um lugar novo: Comidas típicas. Sou um pouco enjoada pra comer, tem muita coisa que eu não como, mas, em geral, eu AMO comida (desde que feita com coisas que eu goste). O que eu almocei todos os dias lá, entretanto, foi macarrão, ou carne, ou, adivinha só? Macarrão com carne! E carne sem sal nem tempeiro nenhum, devo acrescentar ;p
Na tarde do terceiro dia, enquanto meu irmão e mãe estavam vendo o jogo do Boca (que deu 2×2 e eliminou o Ratzinger de sei lá que competição) eu estava procurando algo na TV e passei rapidamente por um programa de culinária. O chef tinha as unhas mais bem feitas que as modelos que eu vi em anúncios de lojas. Parei num programa que achei demais. Se eu um dia ganhasse um programa de TV eu faria algo assim. O nome em espanhol era No te pongas, mas eu assisti em inglês (veja que viagem mais poliglota a do meu feriado!). Sobre o que era? Tenho certeza que muitos dos meus leitores ficariam desapontados em saber, mas era apresentado por um cara e uma mulher que davam à uma pessoa que se vestia mal 5 mil dólares para fazer um guarda-roupa novo depois de uma acessoria. Creio que na Argentina isso seria uma boa.
No dia em que chegamos, fomos comer em um restaurante próximo. Senhores barrigudos trajando pulôveres por baixo do paletó entravam e saíam, geralmente acompanhados de senhores com óculos escuros e sobretudos. Qualquer ventinho que batia parecia motivo suficiente para se tirar todos os casacos de couro e luvas do armário. Esse exagero de roupas torna as argentinas muito bregas. Em toda vitrine de loja (inclusive de grifes como Armani) havia pelo menos uma peça realmente horrenda e o resto que poderia parecer ‘vestível’ estava abarrotado nos manequins de modo a não aparecer. Os cabelos também pareciam muito mal tratados e o corte era… estranho. Era difícil encontrar uma argentina que realmente fosse bonita e não se vestisse com algo como leggin de oncinha ou botas de cores estranhas e cheias de franjas de tecido. Não faço essa observação como algo maldoso. Simplesmente foi algo que me deixou infeliz. Eu e a minha mãe juntas compramos menos roupa que o meu irmão!!

Na Praça de Maio, em frente ao Banco Nacional Argentino
Apesar de tudo isso, Buenos Aires é um lugar muito bonito. Tudo graças à um presidente meio afetado (a guia contou essa história) que queria transformar a cidade na ‘França Latina’. Todas as embaixadas e mais tantos outros prédios possuem arquitetura neoclassica francesa e croisants, muito bons, por sinal, fazem parte dos cafés-da-manhã nos hotéis.