Mal Vicioso: filosofando e discutindo a hipocrisia da sociedade

Cada vez mais a sociedade se acomoda com a exploração do homem pelo homem, mal que se torna um vício. Ainda que a angústia de não saber o que fazer nos persiga, podemos, juntos, descobrir a saída.

Diário de sala de aula

Eu deveria estar dormindo no momento, mas estou sem sono pois dormi de tarde e ainda não fiz tarefa (percebe-se que sou uma pessoa muuito organizada!), por isso resolvi relatar o meu dia letivo de hoje, que, não mentirei pra vocês, foi um porre. Completamente inútil, com exceção da idéia do post que surgiu durante a aula de Física.

Pois bem. Eis que, no meio da explicação monótona de “conteúdos do ano”, como todo professor faz em sua primeira aula, uma frase perdida chama minha atenção:

A pergunta faz pensar, enquanto a resposta te acomoda.

Essa parada de perguntas x respostas é um tema de que eu, particularmente, gosto muito e já foi abordado aqui no Mal Vicioso. Depois disso, o Valdir (professor) começou a falar de como estudaríamos a teoria do Big-Bang. Falou das experiências de anos anteriores, com alunos de determinadas religiões em que não era permitida a discussão de tal teoria e comentou - e só me resta parabenizá-lo pela clareza e imparcialidade com que ele o fez - que não estávamos ali para mudar nossas crenças e muito menos para discutir sobre visões diferentes da criação do universo. A tarefa dele, como professor, era meramente nos passar o conhecimento, assim como nosso dever era cooperar, sem gerar discussões toscas sobre credos e talz, mas focar na ciência (e claro que ele não falou desse jeito, né?).

Foi aí que eu olhei pro lado, onde estavam as “crentes”, que, apesar de serem super queridas e bem minhas amigas, em certas coisas discordamos. Elas nem sequer ouviam o que ele tava falando, mas na hora em que a aula estava no fim e a tarefa (fazer um parágrafo dizendo como acredita que se deu a origem do universo) foi passada, uma delas falou com outra amiga:

Você não acredita nessa coisa de Big-Bang, não é mesmo??

Num tom completamente sério, como se acreditar na ciência e não na religião - ou nos dois, sei lá - fosse uma coisa inaceitável, capetosa, herege demais para poder existir.

Eu já fui meio católica. Eu sempre acreditei em “Deus”, mas nunca nessa “coisa”, esse ser imaginário supremo, mas em algo maior, que era a esperança do povo, o que nos dava vontade de continuar acordando todo dia mesmo sabendo que o mundo tá uma merda. Mesmo na época em que eu fazia comunhão, acreditava na ciência, pois as respostas bíblicas nunca me satisfizeram.

Se eu acredito? Muitos me perguntam. Claro que sim. É muito triste não crer em nada. A diferença está em que eu acredito. E pra mim, o céu não é mais do que uma mistura de gases, inferno é um adjetivo pra algo insuportável. “Religiões” não passam de ceitas em grande escala, com uma manada de gente com mente fraca demais pra precisar que alguém lhe dite o que fazer por não conseguir pensar por si. Não há Deus, há divindade, e essa está no povo.

E eu acabei já fazendo a minha tarefa (:

Compare Preços de: galáxias, bíblias, material escolar,

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Escrito por Carol Peters e postado em Filosofia, Mal Vicioso, Religião, Sociedade no dia 15/02/2007 às 23h 04min. Acompanhe os comentários via RSS 2.0. Você pode deixar um comentário ou fazer um trackback do seu site.

7 comentários para “Diário de sala de aula”

  1. #1 | j. noronha

    Quando eu lecionava física numa turma de primeiro ano, uma crente veio discutir evolução comigo, ela acreditava piamente em Adão e Eva e coisas do gênero. Não aceitei a discussão, encerrei-a com um “azar o seu”.

  2. #2 | Tiago Madeira

    Eu não acredito na teoria do bigbang. Acho muito incompreensível o universo começar no tempo 0 e ir andando pra cá lentamente, uma bolinha explodir e dar origem a tudo o que temos hoje, criarem-se os seres vivos sozinhos juntando-se átomos, etc etc. Pra acreditar no bigbang é preciso ter uma imaginação muito fértil. É menos absurdo que Adão e Eva, mas também não é muito claro não. E o difícil de explicar a criação do universo é que sempre vem a pergunta: e o que veio antes?

    A física trabalha com hipóteses como a religião. Nada é real.

    Eu acho que o grande problema está no tempo. Só que por ele ser (ou parecer) real pra nós, não temos como alterá-lo.

    Penso que algumas perguntas nunca terão resposta. Ou talvez nós já tenhamos a resposta. Como disse o Obito, no post do 1001 gatos, “não trate o futuro como algo que não aconteceu ainda”.

  3. #3 | Fabi

    A realidade é uam inveção…

    Mas, querida Carol Peters… sim divindades, deuses e deusas, todos estão no ser humano, na cultura… Um alento talvez para as porcarias que nós mesmos criamos!
    No século XIX, Nietzsche, já anunciava que Deus estava morto…
    Ainda não estou certa se isso seria uma libertação ou que a morte fora causada pelo advento da crença incontestável na ciência!

  4. #4 | John Artmann

    Não adianta nos perguntarmos, devemos apenas, viver cada dia (total Carpe Diem). E etirar o maior proveito disso, para se realizar psicologicamente.

  5. #5 | Ibrahim Cesar

    Os tempos mudam os fatos se repetem.A forma como os egípcios descreviam a criação do Universo é praticamente a nossa.Um ovo mágico da qual surgiu tudo (que é o ponto onde tudo se resumia a, bem, tudo) a verdade é que somente se muda o discurso, o conteúdo é o mesmo.E não são somente os egípcios mas qualquer cultura original e não arremedos de, como o cristianismo, cientologia, espiritismo e por aí vai.

    A estupidez humana e a imaginação são ilimitadas e não encontramos melhor lugar para comprovar do que em um livro de teologia.

  6. #6 | Franklin Bravos

    Gostei muito do post, e sou evangélico mais faço física na Usp, então conheço os dois pontos de vista. E mesmo conhecendo as respostas científicas sou da a favor da teoria bíblica de Adão e Eva.
    Só um detalhe “Num tom completAmente sério…”, da uma corrigida no texto

  7. #7 | Carol Peters

    oopa.. ta corrigido.. :p

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